O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário, conhecido como NTEP, é um mecanismo importante que o INSS utiliza para conectar doenças e acidentes de trabalho às atividades que os trabalhadores realizam. Ele funciona como uma ponte estatística, ajudando a identificar padrões entre certas doenças e setores econômicos específicos. Quando o NTEP doença ocupacional é reconhecido, isso pode trazer consequências tanto para o empregado quanto para a empresa.
Entender como ele funciona e quais são os direitos e deveres envolvidos é fundamental para uma boa gestão e para garantir um ambiente de trabalho mais seguro.
Pontos Chave do NTEP Doença Ocupacional
O NTEP estabelece uma ligação estatística entre uma doença (identificada pelo CID) e a atividade econômica da empresa (identificada pelo CNAE), presumindo a relação com o trabalho.
O reconhecimento do NTEP pode acarretar impactos financeiros e legais para as empresas, como alteração no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), multas e ações regressivas.
As empresas podem contestar a aplicação do NTEP apresentando documentação que comprove que a doença não tem relação com o trabalho ou que foram adotadas medidas de prevenção eficazes.
Entendendo o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP)

O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário, conhecido pela sigla NTEP, é uma ferramenta que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) utiliza para conectar doenças e acidentes de trabalho com as atividades que os trabalhadores realizam.
Basicamente, ele funciona como um elo estatístico entre a Classificação Internacional de Doenças (CID) e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Essa ligação automática ajuda a identificar se uma determinada condição de saúde tem maior incidência em um setor específico de trabalho.
O Que Define o NTEP na Prática
Na prática, o NTEP é acionado quando o sistema do INSS, ao registrar um diagnóstico (CID) para um trabalhador, cruza essa informação com a atividade econômica (CNAE) da empresa onde ele atua.
Se houver uma associação estatisticamente relevante entre aquele CID e aquele CNAE, o INSS pode presumir que a doença ou lesão tem origem ocupacional. Essa presunção é chamada de “relativa”, o que significa que a empresa pode apresentar provas para demonstrar que a doença não está, de fato, ligada ao trabalho.
A criação do NTEP visou combater a subnotificação de doenças e acidentes de trabalho, já que nem sempre a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é emitida corretamente. Ele incentiva as empresas a investirem mais em saúde e segurança no ambiente laboral.
A Importância do Cruzamento entre CID e CNAE
O cruzamento entre CID e CNAE é o coração do NTEP. Ele permite que o INSS identifique padrões. Por exemplo, se um número elevado de trabalhadores de uma determinada indústria (CNAE) desenvolve um problema respiratório específico (CID), o NTEP pode ser aplicado. Essa análise estatística é fundamental para:
Identificar atividades econômicas com maior risco para a saúde dos trabalhadores.
Facilitar o reconhecimento de doenças ocupacionais, mesmo quando não há um nexo causal individualmente comprovado de imediato.
Orientar as empresas sobre os riscos associados às suas atividades e a necessidade de implementar medidas preventivas.
O NTEP foi introduzido na legislação brasileira pela Lei nº 11.430/2006 e entrou em vigor em abril de 2007. Ele se soma a outras formas de reconhecimento de nexo técnico, como o nexo individual (quando a relação é clara e direta) e o nexo profissional ou do trabalho (quando a doença está ligada a fatores de risco específicos da atividade).
A aplicação do NTEP pode ter implicações significativas para as empresas, especialmente no que diz respeito aos custos previdenciários e à responsabilidade legal.
Consequências do Reconhecimento do NTEP Doença Ocupacional para as Empresas

Quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reconhece o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), a empresa pode enfrentar uma série de impactos que vão além da questão da saúde do trabalhador. Essa decisão, baseada em dados estatísticos que associam uma doença a uma determinada atividade econômica, acarreta responsabilidades e custos adicionais para o empregador.
Impactos Financeiros e Legais
O reconhecimento do NTEP pode gerar consequências financeiras e legais significativas para as empresas. Uma das mais imediatas é a alteração na classificação do benefício concedido ao trabalhador. Ele passa a ser considerado um auxílio-doença acidentário (espécie B91), o que implica em direitos adicionais para o empregado.
Estabilidade no Emprego: O trabalhador adquire estabilidade no emprego por 12 meses após o término do auxílio-doença acidentário.
Recolhimento de FGTS: O recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) torna-se obrigatório durante todo o período em que o trabalhador estiver afastado recebendo o auxílio.
Aumento do Fator Acidentário de Prevenção (FAP): O FAP é um índice que varia de acordo com o número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais em uma empresa. O reconhecimento do NTEP tende a elevar esse fator, o que resulta em um aumento nas alíquotas do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), impactando diretamente os custos previdenciários.
Ações Regressivas: O INSS pode mover ações regressivas contra a empresa, buscando o ressarcimento dos valores gastos com benefícios previdenciários pagos ao trabalhador, caso se comprove que a doença foi causada por negligência da empresa em relação às normas de segurança e saúde no trabalho.
Multas e Penalidades: Dependendo da situação e da legislação aplicável, a empresa pode estar sujeita a multas e outras penalidades administrativas.
A Necessidade de Gestão de Riscos Ocupacionais
Diante das implicações do NTEP Doença Ocupacional, torna-se evidente a importância de uma gestão proativa e eficaz dos riscos ocupacionais. Investir em programas de prevenção e controle de doenças relacionadas ao trabalho não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia inteligente para evitar custos e passivos trabalhistas.
Uma gestão de riscos bem estruturada envolve:
Identificação e Avaliação de Riscos: Mapear os perigos presentes no ambiente de trabalho e avaliar a probabilidade e a gravidade de ocorrência de acidentes ou doenças.
Implementação de Medidas de Controle: Desenvolver e aplicar medidas para eliminar ou mitigar os riscos identificados, como a adoção de equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs), melhorias ergonômicas e adequação dos processos de trabalho.
Monitoramento da Saúde dos Trabalhadores: Realizar exames médicos admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissionais, além de programas como o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), para acompanhar a saúde dos colaboradores e identificar precocemente possíveis doenças ocupacionais.
Documentação e Registros: Manter toda a documentação relativa à saúde e segurança no trabalho organizada e atualizada, como o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) e os laudos técnicos. Essa documentação é fundamental caso a empresa precise contestar a aplicação do NTEP Doença Ocupacional.
A ausência de programas de prevenção e controle de riscos pode ser interpretada como negligência, facilitando o reconhecimento do NTEP e aumentando a exposição da empresa a custos e litígios. Portanto, a prevenção é o caminho mais seguro e econômico.
Contestando a Aplicação do NTEP Doença Ocupacional: Um Guia para Empresas

Quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aplica o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) a uma empresa, isso pode gerar uma série de impactos. Se a sua empresa se encontra nessa situação e você acredita que a decisão não é justa, é possível contestar. Mas atenção: o tempo é curto e a documentação precisa ser impecável.
Documentação Essencial para a Defesa
Para contestar a aplicação do NTEP Doença Ocupacional, a empresa precisa apresentar provas concretas de que a doença ou agravo não tem relação com a atividade profissional exercida pelo colaborador. Isso significa reunir documentos que demonstrem o cuidado da empresa com a saúde e segurança no trabalho. Alguns exemplos importantes incluem:
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO): Detalha os procedimentos de monitoramento da saúde dos trabalhadores.
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR): Anteriormente PPRA, foca na identificação e controle de riscos ambientais.
Análise Ergonômica do Trabalho (AET): Avalia as condições de trabalho sob a perspectiva ergonômica.
Programas específicos: Como o Programa de Conservação Auditiva (PCA) e o Programa de Proteção Respiratória (PPR), se aplicáveis à atividade da empresa.
Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP): Documento que contém informações detalhadas sobre a exposição do trabalhador a agentes nocivos.
É importante que esses documentos estejam atualizados e reflitam as práticas reais da empresa. Eles servem como base para argumentar que a empresa adota medidas para prevenir doenças ocupacionais.
Prazos e Procedimentos para Recurso
A contestação do NTEP Doença Ocupacional deve ser feita em um prazo específico. Geralmente, a empresa tem até 15 dias após a entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) para apresentar seu recurso administrativo ao INSS. É fundamental estar atento a essa data limite.
O processo de contestação envolve a apresentação do requerimento formal, acompanhado de toda a documentação comprobatória mencionada. Essa documentação será analisada pela perícia médica e pelo setor administrativo da Agência da Previdência Social (APS). Após a análise inicial, tanto a empresa quanto o colaborador são notificados sobre a decisão. Caso a contestação seja negada, ainda há um prazo de até 30 dias para recorrer novamente.
A falta de um gerenciamento de riscos ocupacionais robusto e bem documentado pode dificultar significativamente a defesa da empresa em casos de aplicação do NTEP. Investir em programas de saúde e segurança não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia de proteção contra passivos trabalhistas e previdenciários.
Considerações Finais
Entender o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) é um passo importante para empresas e trabalhadores. Ele serve como um indicador estatístico que pode ligar doenças a certas atividades laborais, mesmo sem uma comunicação direta de acidente de trabalho.
Saber como o INSS aplica essa ferramenta e quais documentos podem ser usados para contestar uma decisão, caso a empresa discorde, é fundamental. A gestão de saúde ocupacional e a prevenção de riscos no ambiente de trabalho são, sem dúvida, o melhor caminho para evitar tanto o reconhecimento do NTEP quanto os custos e responsabilidades que ele pode trazer para as empresas, além de garantir um ambiente mais seguro para todos.
Perguntas Frequentes sobre o NTEP Doença Ocupacional
O que é o NTEP e como ele funciona?
O NTEP é uma forma que o INSS usa para ligar doenças ou acidentes ao tipo de trabalho que a pessoa faz. Ele faz isso olhando se muitas pessoas que trabalham em atividades parecidas adoecem com a mesma coisa. Se o INSS percebe essa ligação, ele pode entender que a doença tem a ver com o trabalho, mesmo que não haja um aviso direto da empresa.
Quais são as consequências para as empresas se for reconhecido o NTEP Doença Ocupacional?
Quando o NTEP é reconhecido, a empresa pode ter que lidar com algumas coisas. Isso inclui o aumento dos custos, como o FAP, que é um fator que mexe com os impostos da empresa. Além disso, pode haver multas e até mesmo ações para que a empresa devolva o dinheiro que o governo gastou com o benefício do trabalhador. Em alguns casos, a empresa pode até ter que pagar indenizações.
Uma empresa pode discordar do NTEP na Doença Ocupacional e como ela faz isso?
Sim, as empresas podem contestar o NTEP. Para isso, elas precisam mostrar provas de que a doença não tem relação com o trabalho. Isso pode ser feito com documentos que mostrem que a empresa cuida da saúde dos funcionários e que o ambiente de trabalho é seguro. É importante fazer isso dentro do prazo, que geralmente é de 15 dias após a entrega de um documento chamado GFIP.